Eu me lembro como fosse hoje a sensação de soco no estômago quando, em uma viagem para o exterior, o meu filho de 4 anos me disse: “Mãe, como as pessoas andam na rua aqui, né?”

Não é que ele nunca tivesse visto uma pessoa caminhando na rua. Óbvio que ele já tinha visto. Mas é que naquela viagem ele estava andando pela rua. Ele estava vivenciando a cidade com um outro olhar. Ele estava experimentando uma liberdade essencial da qual, infelizmente, dia após dia somos mais privados aqui no Brasil. Aquilo me deixou profundamente chateada.

Críticas e generalizações à parte, a verdade é que as ruas, as praças e os espaços públicos são, comumente, vistos como lugares perigosos, onde nos sentimos vulneráveis e expostos aos crescentes níveis de violência do nosso país. Nada mais natural que não queiramos expor nossos filhos à essa iminente violência. Acontece, porém, que essa situação é um círculo vicioso: quanto menos ocupamos os espaços púbicos, mais espaço abrimos para o vandalismo e o mau uso dos mesmos, mais estes espaços se tornam lugares “perigosos” e menos nos dispomos a utilizá-los – ainda que este seja o nosso direito.

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Partindo deste mesmo pressuposto e por “refletir sobre questões tangíveis e intangíveis à formação das nossas crianças para serem cidadãos conscientes, como preservação da natureza, senso colaborativo e coletivo, liberdade para se desenvolver pelo brincar, atividades em família…“, a Roberta Lopes Guizzo, mãe do Lucas de 2 anos e relações públicas, idealizou um movimento que, de alguma forma incentivasse essa apropriação do espaço público pelas famílias e principalmente pelas crianças que tanto perdem ao serem privadas dessa vivência, dessa liberdade.

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“Nossa primeira atividade aconteceu em maio: oficina de Mini jardinagem para crianças, com a Iracema Bernardes. Foi demais!

Depois, por também frequentar a Biblioteca Pública Do Paraná, fiz o convite para a Seção Infantil e prontamente a coordenação aceitou levar o Piquenique Literário uma vez por mês para a praça. Tem sido inspirador esse contato das crianças com a literatura.

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Nessa época o projeto ainda nem tinha nome, era apenas um movimento que achava necessário. Com a crescente procura percebi a necessidade de organizar e dar forma a ele.

Em Julho, a Vivian Agnolo Madalozzo da Alecrim Dourado Formação Musical, mãe, frequentadora da praça, se propôs a levar o Música na Praça uma vez por mês também.”

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Como é possível ver pelo relato da Roberta, os encontros são proveitosos não só para as crianças, mas também para os pais, trazendo a interação para o contato físico, o olho no olho a percepção do outro como muito mais próximo e, afastando assim, o medo de usufruir desses espaços que são tão nossos. 

Assim que eu fiquei sabendo dessa iniciativa, entrei em contato com a Roberta para saber se ela me autorizava divulgá-la no blog e no grupo, uma vez que, por mais elementar que pareça, eu acredito que é por meio de atitudes assim que melhoraremos o mundo a nossa volta.

A Roberta nos conta um pouco mais de como esse projeto funciona: “As atividades são gratuitas e acessíveis às crianças de todas as idades. Quando, eventualmente, pedimos para que os participantes levem alguma coisa, geralmente são materiais reutilizáveis, que temos em casa ou que podemos conseguir facilmente. Por exemplo, o potinho para mini jardinagem ou um balde para batucar.

 As ações acontecem na Praça 29 de Março, em Curitiba-PR, mas também é um convite para que o brincar esteja presente nas nossas rotinas.

O projeto é voluntário e sem fins lucrativos, sem parcerias comerciais, todos os parceiros das atividades também são voluntários. Aos poucos o projeto toma forma, mas nesse momento é independente e desvinculado de patrocínios.

Mais de 500 pessoas já participaram das atividades! Lindo de ver!”

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Eu ainda não tive a chance de participar de nenhum encontro, mas não tenho dúvidas que a próxima oportunidade que eu tiver, estarei lá com os meus filhotes, tentando mostrar para eles que a vivência da rua e das praças é possível – e necessária! – aqui também. Acredito que devemos fazer a nossa parte, incentivando ações como esta que tanto tem a contribuir para as nossas vidas e dos nossos filhos.

Fica, então, o convite e a programação para quem quiser participar dessa iniciativa encantadora.

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